vinteecinco

12

de
novembro

… em falta com nós mesmos.

Estou triste. Não sei o que está acontecendo comigo. Já terminei outros namoros antes, já fui chifrada, já sofri (de chorar, querer estrangular as pessoas) muito por causa de outros meninos, mas dessa vez é diferente. Eu não tô sofrendo por causa do Maurício. Tô sofrendo por mim. Nunca fiquei muito tempo sozinha – na verdade, depois do primeiro namorado (há exatos dez anos), acho que meu recorde de tempo solteira não chegou a três meses. Se não tava namorando, no mínimo tava ficando sério com alguém – sério de conhecer pai e mãe, ligar sem ficar pensando antes. Sempre foi assim: eu terminava o namoro, chorava dois, três dias inteiros e era como se eu colocasse pra fora tudo que eu tava sentindo, como se o vírus da tristeza fosse embora mesmo. Mas dessa vez tá diferente. Eu tô diferente. Da hora que o Maurício saiu da minha casa na quarta até sábado à noite, não derramei uma lágrima. Não tava me segurando, eu tava com vontade de chorar. Muita. Mas parece que as lágrimas não saíam, começava a ficar triste e vinha aquele monte de pensamento de livro de auto-ajuda na minha cabeça: “você é mais forte”, “pensa positivo”, “você vai encontrar alguém muito melhor”… E simplesmente eu não chorava. Afinal, eu me amo, sou linda, inteligente, super bem-sucedida, tenho uma família maravilhosa, as melhores amigas do mundo, meu próprio apartamento, até a moto dos sonhos de muito marmanjo eu tenho – e consegui com meu próprio esforço. Não sou uma Mychelly da vida, que se não casar com um homem rico vai passar o resto da vida caçando um até encontrar (juro que eu consigo visualizar a cena: Mymy, 47 anos, calça branca, top rosa-choque, cabelo Elba Ramalho, brincos, pulseiras e colares dourados, se pegando com um cara de 1,50, barrigudo, careca e de bigode grisalho, mas cheio da grana). Sem pretensão, mas sem falsa modéstia: eu tô muito acima disso. Não preciso me preocupar em ficar pra titia, nem perder meu tempo chorando por alguém que não me merece. Então eu fiz happy-hour na quinta, fui pra balada sexta, passei o dia no shopping sábado… Tudo muito bem, como se eu tivesse muito bem-resolvida… Mas sábado à noite eu desabei. Não sei o que me deu, eu tava numa balada que eu amo, com as minhas melhores amigas, bebendo minha caipirosca de Absolut com lima de pérsia e já de olhos nos potenciais gatinhos, “feliz da vida”… Até que vi o pívets. Não falava com ele desde aquele dia do bar (que o são-paulino tava). Ele não me ligou, eu também não liguei – na verdade, nem me dei conta que ele não tinha me ligado há mais de uma semana, com tudo isso que rolou com o Maurício. Mas ele veio conversar comigo, e de repente eu me dei conta de que sim, eu queria ficar com ele. Aí eu pensei que não, eu não podia, ia ser muito fácil pra ele – a gente fica umas vezes, transa umas vezes, ele some mais de uma semana e depois é só chegar que ele consegue me “pegar” de novo?! No way. Deixei ele com os amigos dele e fui curtir a balada – com uma esperança de que ele voltasse pra falar comigo de novo, não posso negar. Mas ele não veio. Foi me batendo uma coisa, uma vontade de me esconder, de ficar sozinha, de apagar tudo e começar de novo. Sabe aquela angústia em que tudo que você precisa pra desmoronar é um abraço? Fui embora sem nem me despedir de ninguém, “escoltada” pela Karina, que sabia só de olhar pra minha cara que se eu passasse mais um minuto lá dentro eu desabava. Desabei no segundo que eu entrei no carro e vim chorando o caminho todo, com o som no volume máximo, cantando (gritando?) fora de ritmo e completamente desafinada – parecia uma louca. Mas eu não tava chorando por causa do pívets. Nem pelo Maurício, nem pelo Gui (que, aliás, também sumiu essa semana), nem pelo são-paulino (que até agora não saiu da minha cabeça). Eu tava chorando por mim. Porque alguma coisa me falta. E por mais que eu busque, simplesmente não encontro.

P.S.: Tem uma frase do Goethe que diz que “Tudo nos falta quando estamos em falta com nós mesmos”. Muito bonita, mas… onde é que eu estou em falta comigo?
P.S.II.: Lá pelas quatro e meia da manhã chega uma mensagem do pívets no meu celular, perguntando onde eu tava.

8

de
novembro

Tapa na Cara

Voltei pra casa ontem, dormi a tarde inteira e quando o Maurício ligou, umas seis, falei pra ele ir lá em casa comer uma pizza. Quando ele chegou, eu tava mais linda do que nunca. Juro, tava maravilhosa, com um decote enorme, shortinho micro e pé descalço, que ele adora. Ele mal entrou em casa e coloquei a mão dentro da calça dele e comecei a provocação. Pedia pra ele me contar da noite de ontem, perguntei se ele tava cansado de ter passado a noite trabalhando e queria uma massagem especial, e cada vez que ele começava a falar, eu deixava ele mais maluco, abrindo um pouquinho o short, colocando a mão dele dentro da minha blusa e abrindo a calça dele com a boca. Quando ele tirou toda a roupa e eu estava só de calcinha, perguntei se fazia tempo que ele não via a Mychelly. Ele, sem querer perder a concentração, jurou que nunca mais tinha visto ela, que ela e a irmã dele nem eram mais tão amigas, e que ele nem sabia se ela ainda namorava o vizinho dele. Ele me agarrou e perguntei se ele tinha certeza. Ele jurou que sim, tentando tirar a minha calcinha. A gente rolou e sentei em cima dele, pedi pra ele jurar. Ele jurou. Por Deus, pela mãe dele, pelo nosso namoro, pela minha vida. Saí de cima dele e falei que eu sabia que eles tavam se encontrando. Que sabia das mensagens, dos e-mails (nessa eu joguei verde, mas ele caiu). Cara, nunca imaginei que algum dia eu fosse ficar feliz de ver um homem brochar. Mas ontem eu fiquei. Falei que sabia de tudo, ele ainda tentou negar, eu falando que não adiantava, abrindo o armário e jogando os pedaços de “tudo que fomos nós” em cima dele. Ele não acreditava. Eu tava tão extasiada com aquilo tudo que não conseguia nem olhar na cara dele, eu só falava, gritava, jogando as coisas em cima dele. Tudo que eu queria era que ele se sentisse humilhado. Humilhada que nem eu fui. Ele perguntou desde quando eu sabia, mas não respondi. Continuei minha cena, mostrando pra ele as fotos rasgadas e falando que quem rasgou foi ele, e não eu. Foi ele quem estragou tudo, qualquer memória boa desses três anos. Ele ficou tentando se explicar, falar que não, que durante os três anos ele não tinha feito nada, e que agora só que ele tava confuso, mas eu ignorei. Não quero saber. Pra mim, é tudo lixo, é um pedaço da minha vida que quero apagar pra sempre. Acho que deixei ele bem puto, porque ele desistiu de se explicar e resolveu ir embora. O detalhe é que ele estava pelado e, antes que ele pudesse me impedir, eu joguei a roupa dele pela janela. Falei que depois eu emprestava outra, mas que agora ele ia me ouvir. Joguei na cara dele tudo que eu fiz por ele nesses três anos, tudo de bom que a gente passou junto, tudo que ele tinha jogado fora. Ele, pelado, de cabeça baixa, não derramou uma lágrima, só mordia o lábio e mexia a cabeça, concordando. Meu show deve ter durado umas duas horas, e juro que se tivesse platéia, eu merecia uma salva de palmas. Eu me superei, humilhei o imbecil. Olhei nos olhos dele, falei que não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Ele me pediu desculpas, tentou me beijar e falou que ele tinha medo de se entregar, que por mais que me amasse, nunca esteve 100% comigo. Jurou que nunca tinha me traído, mas confessou que também nunca tinha se entregado. Eu tava triste, com raiva, as lágrimas nascendo nos meus olhos, mas a facada no coração era mais forte. Perdi o controle e dei um tapa na cara dele. Não um tapa - um tapa sem noção, uma força que eu nem sabia que tinha. Nunca tinha batido num homem, a sensação é maravilhosa. De repente, caiu uma ficha. Falei que durante aqueles três anos eu tinha sido muito feliz. Porque? Porque eu amava. Porque eu acreditava no amor. E que o que mais me deixava feliz era saber que EU era capaz de amar, que uma hora eu ia encontrar alguém que merecia esse meu amor, mas que ELE… Ele NUNCA ia saber o que é AMAR e SER FELIZ, porque ele simplesmente não é capaz de se entregar. E ele foi embora usando uma samba-canção do Pateta, que eu tenho há uns dez anos.

7

de
novembro

Substantivos Abstratos

Sabia que amor é um substantivo abstrato? Beijo também. Aliás, posso citar vários: beleza, inteligência, saudade, ciúme, amizade, respeito, traição. Agora, “Deus” é um substantivo concreto. Pois é. Deus, Igreja, Religião, e-mail, Mychelly – todos concretos. Complexo isso. Deus pra mim é muito mais abstrato que traição. Deus você não vê, não pode pegar na mão, no máximo dá pra dizer que você sente, e mesmo assim, cada um tem um jeito diferente de sentir, de enxergar. Olha que engraçado, traição é assim também: você não vê, não dá pra pegar na mão – mas você sente. E cada um tem um jeito diferente de sentir, de enxergar. Já perguntei isso antes, mas ainda não tenho resposta. O que é traição? Trocar mensagens com outra pessoa é traição? Na hora que você troca mensagem, a traição deixa de ser abstrata pra ficar concreta? Ou é só quando você beija, transa? Ou a mentira (substantivo abstrato) já é a concretização da traição? Ontem o Maurício tava lá em casa, tudo parecia muito bem até que, umas nove horas da noite, ele falou que ia pra casa dele. Perguntei porque ele não podia dormir lá em casa, e ele deu uma enrolada, falou que precisava terminar umas coisas pro trabalho e que tinha deixado os arquivos na casa dele. Achei estranho, o trabalho dele sempre foi aquela coisa meio das oito às cinco, eu é que sempre tive que trabalhar overnight, mas fingi que tudo bem. Acompanhei ele até a porta, enchi ele de beijos e, assim que ele saiu, peguei o capacete, desci pelo outro elevador até a garagem e fui seguindo ele, de moto. Ele sabe que eu tenho carta, mas não contei que tinha comprado uma moto. Fui seguindo, meio de longe, percebendo que o caminho que ele tava fazendo saía pelo menos uns 5km do caminho da casa dele. Quando ele parou o carro na frente de um prédio, eu liguei no celular dele. Segundo ele, ele já tinha chegado em casa, e tava triste de não ter ficado mais tempo comigo… “Ah, Má, não fica trabalhando até muito tarde, senão amanhã você vai ficar cansado…”. Ele me desejou boa noite e desligou, mais ou menos na mesma hora que – adivinha – a Mymy saiu do prédio e entrou no carro dele. Não consegui ver se eles se beijaram ou não, mas pra mim, foi o suficiente. Voltei pra casa tremendo, com as lágrimas presas, a garganta doendo, com vontade de gritar. E gritei. Gritei muito. Gritei de doer a garganta mesmo, de ficar sem ar. Eu tinha que colocar pra fora todo aquele ódio. Ódio do Maurício, da Mychelly, de mim. Ódio por ter acreditado nele durante três anos; ódio por não ter acreditado nesses três dias. Ódio porque ele conseguiu estragar toda a história que a gente teve. Ok, eu sei que nosso namoro teve problemas no final, mas a nossa história era bonita, a gente era aquele casal que todo mundo morre de inveja, que todo mundo acha que não tem nenhum problema. Aquele casal que, quando terminou, ninguém acreditou, porque a gente tinha “nascido um pro outro”. É, deve ser isso: ele nasceu pra enganar, e eu, pra ser enganada. Cara, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Eu sabia, eu tava sentindo. Talvez se eu não tivesse mexido no celular dele, ou não tivesse seguido ele de moto, eu estaria feliz da vida. Nos três anos que a gente namorou, eu estava feliz da vida. Acho que porque eu não mexia no celular dele, não seguia o carro dele pra saber se o que ele contava era verdade. Porque eu confiava nele. Cara, como eu sou imbecil. A namorada perfeita: linda, engraçada, não tem ciúmes, não desconfia, dá liberdade – o alvo perfeito pra um jerk que nem o Maurício. E eu que tava me sentindo mal de ter terminado com ele, de sentir falta de alguma coisa no namoro “perfeito” que a gente tinha. Tô com muito ódio dele, muito. E mais ódio ainda de mim, por ter sido enganada tanto tempo. Virei a noite acordada, rasgando três anos de fotos, quebrando três anos de cds, assassinando cada bichinho de pelúcia que ele me deu. Não fui na academia e sinceramente, vou fingir uma dor de barriga e voltar pra casa agora.

6

de
novembro

Dois L e Dois Y

Cara, preciso descobrir quem é essa menina. Sério. Ontem ele dormiu lá em casa e, enquanto ele tomava banho, peguei o celular dele. Sei que isso é errado, é invasão, e boys, podem falar o que vocês quiserem, mas a verdade é que se uma mulher pega o seu celular escondido, é porque tem alguma coisa que você está fazendo errado. Não necessariamente você tem outra, mas se ela tá desconfiando, é porque alguma coisa tá faltando. E acho que no meu caso com o Maurício é mais ou menos isso. Não entendo porque ele voltou comigo. Eu sei que EU voltei com ele porque eu tô sozinha, carente, etc, mas porque ELE voltou comigo? Não quero que seja porque não conseguiu ninguém melhor. Bom, revirei o celular dele e não tinha nada, nenhuma mensagem enviada, nenhuma mensagem recebida, nenhuma ligação, a não ser as minhas. Achei muito estranho, mas talvez ele tivesse mesmo sozinho, talvez essa tal menina seja só alguém que ele conheceu numa festa, deu uns beijos e ponto final, talvez eles nem tenham trocado telefone. Estava quase ficando feliz quando chegou uma mensagem. Da Mychelle. Mychelly, assim mesmo, com dois L e dois Y (pausa: ela não podia ter um nome menos brega, não?!). Mychelly, a ex-namorada dele. A melhor amiga da irmã dele. A madrinha do sobrinho dele. A vaca que andava de biquíni fio-dental na casa de praia, e vinha toda simpática querer ser minha amiga, mostrar que os dois não tinham mais nada a ver. A mesma que namorou o vizinho e melhor amiga de infância do Maurício. A única pessoa de quem eu senti ciúmes nos três anos de namoro. Cara, que ódio. A mensagem nem dizia nada demais, era alguma coisa do tipo: “A gente precisa muito repetir isso. Beijos da Mymy.”. Quer dizer, nada demais, vírgula, né?! Porque eu não tenho a menor idéia do que é que eles precisam repetir. E nem posso perguntar, já que o Maurício não pode nem sonhar que eu peguei o celular dele. Cara, o que é que eles precisam repetir? Será que eles transaram? Ou será que ela tá falando do campeonato de truco (ele me contou que esse final de semana os amigos da irmã dele fizeram um campeonato de truco, talvez ela tivesse lá). Mas mesmo que seja, hoje é terça já, ela não ia mandar essa mensagem assim, aleatório. Ele deve ter mandado uma mensagem pra ela antes. Enquanto eu tava no banho. Filho da puta. Fumei três cigarros seguidos e decidi que ia fingir que nada tinha acontecido, e pior, ia fazer ele se sentir culpado. Transamos como nunca, fiz tudo – absolutamente tudo – que ele queria e, antes de dormir, falei bem baixinho, no ouvido dele: “To tão feliz que a gente tá junto de novo. Juro que dessa vez é pra sempre, só a gente. Eu te amo muito, e amo mais ainda cada vez que a gente transa e você fala que me ama. E tão com saber que você é só meu, só meu, e que nunca vai me deixar…”. Ele me abraçou forte, e eu vi pelo reflexo do vidro que a cara dele não era de felicidade, mas de angústia.

5

de
novembro

Banana Pancakes

Voltei com o Maurício. Ele me ligou ontem, passou em casa, conversamos, nos beijamos e acabamos transando. Ele falou o quanto sente a minha falta, o quanto eu sou especial, me contou que – finalmente – tinha conseguido comprar o apê que ele queria e que vai mudar daqui a pouco mais de mês. Quer minha ajuda na decoração, quer dicas pra entrevista que ele vai fazer na terça, quer que eu ajude a organizar a festa do aniversário dele, daqui a uma semana. Acho que estou contente. Sei que eu não queria mais namorar com ele, mas ontem, enquanto a gente conversava, ele ia me fazendo lembrar das nossas viagens, jantares, de tantos momentos especiais que a gente passou junto… Ele pegou o meu violão – não, eu não toco nada, mas acho muito style ter um violão meio “jogado” no sofá, então eu tenho um, só de decoração – enfim, ele pegou meu violão e tocou a nossa música, que fala alguma coisa do tipo “tá chovendo, vamos fingir que o mundo lá fora não existe e ficar em casa hoje”. Não esqueço, foi na nossa primeira viagem juntos, fomos passar o fim de semana nuns chalezinhos na praia e só choveu, o tempo todo. Passamos o tempo todo no quarto, ouvindo o único CD que a gente tinha levado, que tinha essa música. Pior é que encaixava direitinho, sabe? Eu AMO panqueca de banana, e ele faz a melhor panqueca de banana do universo (ok, talvez não seja a melhor do universo, mas como eu moro sozinha e não sei cozinhar, qualquer comida ligeiramente saborosa, não queimada ou salgada demais pra mim é um sonho). Eu quis saber como foi que ele passou esse mês, mas ele só falou que sentiu a minha falta. Perguntei se ele tinha ficado com alguém, ele falou que sim, pra tentar me esquecer, mas que não tinha dado certo, que ainda me amava, que não queria me esquecer. Achei um pouco estranho ele nem ter perguntado sobre como eu passei esse mês. Homem tem dessas coisas de preferir nem saber. Não sei como eles conseguem. Só de saber que ele beijou outra menina eu já tinha um milhão de perguntas na minha cabeça: Quem é ela? Ela é alta? Magra? Loira ou morena? O que ela faz? Quantos anos ela tem? Quantas vezes vocês ficaram? Aonde? Vocês já se conheciam antes? Eu conheço? Vocês transaram? Pior é que eu não podia perguntar, ele não me perguntou nada. Imagina se eu tivesse que contar do são-paulino ou do pívets? Better not. Mas depois que ele foi embora, continuei pensando em quem seria essa menina. E hoje eu acordei sonhando que ele me pedia de aniversário uma noite de sexo comigo e com ELA.

4

de
novembro

UPDATE

Cara, to destruída. Desde sexta passada que eu tô trabalhando todos os dias das sete da manhã às nove da noite, levando trabalho pra casa, virando madrugada… Perdi o fim de semana, esqueci de almoçar e jantar umas cinco vezes, tô com uma olheira do tamanho do mundo e certeza que se eu passar na porta de um hospital psiquiátrico eles me internam, porque eu tô num estado tão deplorável que até escovar os dentes com creme depilatório eu escovei. Tava meio sonada, me atrapalhei, mas tudo bem, cuspi rapidinho e nem me queimei. Pelo menos isso foi uma vez só, pior foi querer lavar o cabelo com Dermacyd (aquele sabonete íntimo) duas vezes em um único banho. Pois é, eu tive o dom. Acho que já deu pra você ter uma noção do meu estado. Enfim, depois de quinta-feira (que eu dei pro pívets), ele me ligou sexta e sábado, mas eu tava trabalhando, não consegui sair com ele. No domingo, saí do escritório e passei na casa dele, mais uma noite de sexo intenso. Eu tava precisando… Na segunda, eu comecei a fazer academia. Sete horas da manhã estava eu lá, gostosona, correndo. Não sei da onde eu tirei a idéia de começar a fazer academia justo essa semana, mas faltam menos de dois meses pra o verão e minha barriga tá parecendo gelatina de cantina de colégio público. De roupa, ninguém percebe, mas eu não pretendo passar o verão de blusinha enquanto todas as menininhas de 17 estão com o abdômen rasgado desfilando e desviando a atenção de todos os meus prospects! Well, corri durante uma hora, fiz 500 abdominais, “flertei” (adoro essa palavra!) com uns gatinhos e fui trabalhar com outro ânimo… Na terça, de novo. Na quarta eu perdi a hora de manhã, mas tava decidida a ir treinar de noite. Só que aí o pívets ligou, me chamou pra ir num bar novo que eu ainda não conhecia… Ah, que mal tem, faltar um dia? Amanhã eu compenso… Well, óbvio que na quinta eu não compensei, nem apareci na academia. Tava toda dolorida, exausta e o pior, arrasada, porque – adivinha quem estava no bar? Ele, o são-paulino. Juro. Um milhão de pessoas pra você encontrar e você dá de cara justo com a única pessoa que você queria que estivesse fazendo trabalho escravo em algum campo de arroz na China ou tirando leite de canguru na Nova Zelândia. Qualquer coisa bem trash e bem longe. O pior é que ele estava acompanhado, e eu dei de cara com ele bem na hora que o pívets foi no banheiro, então nem aquele gostinho de vingança eu tive, sabe? Se pelo menos ele tivesse me visto linda, com o pívets gostoso do meu lado… Mas não, ele me viu com as super olheiras, sozinha, com roupa de escritório, devorando um sanduíche gigante (que eu tava dividindo com o pívets, mas ele não sabe – deve estar pensando que eu estou compensando a falta dele na comida). Ódio-mór. Antes de ir embora ainda dei uma desfilada com o pívets, pra ver se o são-paulino via, mas óbvio que nem isso… Enfim, agora o são-paulino morreu de uma vez por todas. Se ele tá saindo e não é comigo, é porque ele não quer nada mesmo. Well, pelo jeito, não só ele, porque na quinta à noite o pívets foi viajar, e até agora não mandou nem uma mensagem, sinal de fumaça, nada. Tudo bem que eu não quero nada sério com ele, mas não custava nada dar um sinal de vida… Fora que quando a gente tá junto é uma delícia… Ele é carinhoso, fala umas coisas bonitinhas… E depois que a gente transa, a gente fica deitado um tempão, conversando, brincando na cama… E juro que a culpa é dele, porque pra mim isso é uma coisa sem futuro, só sexo mesmo. Ele deve saber disso, é por isso que meninos novinhos gostam de pegar meninas mais velhas – eles sabem que é mais fácil transar e que a cobrança vai ser menor. Por exemplo, ele não ligou até agora e eu nem me arrependi ainda de ter transado…

P.S. Estou há 48h dentro de casa, de pijama, assistindo DVD e sobrevivendo à base de pizza, Negresco, pipoca, Coca-Cola (normal, muito mais gostosa), chocolate e cigarro.

26

de
outubro

Seis Palavras

Não agüentei. Tava sozinha em casa ontem, todas as minhas amigas ocupadas com seus respectivos… Mandei uma mensagem pro são-paulino. eu sei que eu não devia ter mandado, o cara deve estar pensando (sabendo!) que eu tô apaixonada por ele, mas eu não agüento essa tortura, essa expectativa de ficar achando que ele vai ligar. Fiquei grudada no celular meia hora, e nada. Cara, será que é tão difícil responder uma mensagem? Na boa, não é tão difícil. Difícil é falar, honestamente, que você não quer mais nada com alguém. É mais fácil sumir, não ligar, não responder mensagens, ignorar. Os homens são tão homens pra algumas coisas, e tão fracos pra outras… Ele podia resolver a situação com meia dúzia de palavras: “Não quero mais sair com você.”. Simples. Mas não, ele não é homem suficiente pra assumir isso. Prefere enrolar, dar uns perdidos. Acho que ele (eles, porque duvido que ele seja o único), eles fazem isso porque acham que se forem honestos, a gente nunca mais vai querer nada. Imbecil. Prefiro os homens mais sinceros. Lembra do cara que eu namorei, que terminou comigo pra voltar com a ex, antes do cruzeiro? Cara, ele sim foi honesto. No dia que encontrou a ex, e percebeu que ainda sentia alguma coisa por ela, antes mesmo de ficar com ela foi na minha casa e terminou tudo. Óbvio que na hora eu senti raiva, vontade de estrangular o sujeito. Mas um mês depois eu tava bem, e feliz de saber que ele tinha sido honesto comigo. A gente acabou se reencontrando depois – coincidências da vida, ele virou meu atendimento na agência – e, apesar de não termos virados melhores amigos (até porque a ex-atual me odeia), a verdade é que eu não guardo nenhum tipo de ressentimento. Hoje eles estão noivos, super bem. De que adiantaria ele ter me enrolado mais um, dois meses, até me dar um pé na bunda? O melhor que ele poderia conseguir era duas mulheres furiosas com ele, eu e a ex-atual. E provavelmente, quem quer que ficasse com ele no final da “batalha” seria uma namorada insuportável, desconfiada, ciumenta. Quando o cara é honesto, até pras coisas mais bobas, tipo querer fazer happy-hour com os amigos, a gente pode até ficar p. da vida na hora, mas passa rapidinho. Agora quando o cara enrola, não assume o que quer, e depois fala que só foi porque os amigos insistiram, “eu nem tava a fim, mas eu tava sem carona pra voltar pra casa, então resolvi ficar lá e esperar o fulaninho bla bla bla whiskas sachê”. Cara, isso dá raiva. Tudo bem, talvez o são-paulino não saiba o que quer. Mas ele podia ser honesto e falar que não sabe: “Não sei o que eu quero.” Mas essas seis palavras parecem mais difíceis pra um homem do que as clássicas três que toda menina adora ouvir*. Não to pedindo pra namorar com ele, também não sei se é isso que eu quero. Ainda mais agora, que eu já vi o tipo de homem que ele é. Cara, eu não preciso de mais um Gui na minha vida – um só já me dá trabalho suficiente. Ah, já falei que o Gui também é são-paulino? Parece que eu to vendo a história se repetir… Pelo menos dessa vez eu to vacinada. Ou acho que estou… Anyway, depois de meia hora esperando ele responder a mensagem, liguei pro pívets. Fomos num barzinho, bebemos um pouco, beijamos muito, o clima esquentou, acabamos subindo no apartamento dele e… eu dei. Cara, que delícia. Fazia um mês e meio que eu não transava. Parece pouco, mas depois de três anos namorando, o corpo acostuma com uma determinada freqüência… Aí você passa 45 dias sem dar, cara, dá desespero!!! E tudo bem que sexo com amor é sempre mais gostoso, mas na boa, é bom transar sem sentimento – mais do que isso, sem preocupação. É, sem se preocupar se o cara vai te achar fácil, se ele vai te ligar depois, se ele vai querer namorar. Eu não quero namorar o pívets. No way. O sexo é bom, é verdade, mas eu já falei, não rola namorar um cara que ainda nem entrou na faculdade. Ele tem muita coisa pra curtir ainda. Fora que, imagina se ele é o homem da minha vida, se apaixona e me pede em casamento. Quem vai pagar as contas até ele ter um emprego de gente grande? Eu? O pai dele? Só aí você já vê que a expectativa de sucesso desse relacionamento tende a zero… Nesse caso, minha melhor opção é aproveitar…

* Se alguém tem dúvida: “eu te amo”.

25

de
outubro

Um Pássaro na Mão

Hoje faz um mês que eu terminei com o Maurício. E pra falar a verdade, ainda não sei se fiz a coisa certa. Logo depois que a gente terminou, ele me mandou um email, falando que me amava, mas que entendia que eu não queria mais namorar. Um email triste, cheio de mágoas, orgulho ferido e dúvidas sobre se aquele era mesmo o único jeito. Até pensei em responder, mas mantive a minha promessa de não falar com ele por um mês (sempre faço essa promessa quando termino – um mês é um tempo legal pra não ter risco de querer tentar um flashback). Dois dias depois, outro email, mais leve, quase de amigo, sobre um musical que eu tava doida pra ver e que estava com os ingressos à venda. Ele não me convidou pra ir com ele, só me avisou sobre a peça mesmo. Achei uma atitude legal, mas também não respondi. Se eu terminei, foi porque acabou mesmo. Mas agora, um mês depois, eu fico me perguntando se eu fiz a coisa certa. Aproveitei bastante esse mês, não vou negar: fiquei com o são-paulino, com o pívets, retomei minha “amizade” com o Gui… Mas continuo cheia de angústias. Talvez se o são-paulino tivesse me ligado mais vezes, eu teria esquecido, estaria feliz, apaixonada. Ou se o Gui largasse a meio-metro pra ficar comigo. Quem sabe até o pívets poderia ser alguém mais “relevante” na minha vida, se ele não fosse pívets. Mas não. Estou sozinha. Troquei “um pássaro na mão” por três voando, cada um pra mais longe de mim. Chega quarta-feira à noite e bate aquela vontade de ir no cinema ficar abraçadinho… Chega no final da balada, todo mundo se pegando, e eu só olhando, lembrando como era gostoso ir embora mais cedo pra me pegar com o Maurício. Todo mundo fazendo planos para o ano-novo e eu lembrando que nos últimos três anos em Setembro a gente já tinha tudo planejado, passagens compradas, e passava horas montando e remontando o roteiro – que no final a gente nunca seguia, sempre tinha algum lugar legal que a gente queria ficar mais tempo. De repente, qualquer coisa me lembra dele: a música que toca no rádio, o filme que estréia na HBO, até comprar presente de aniversário pra filhinha de uma amiga me lembra de quando a gente levava a sobrinha dele pra passear. É engraçado isso, a gente só quer aquilo que a gente não tem. Ele não me procurou mais, não mandou email, não deu notícias. E eu, que há um mês atrás não agüentava mais nem ficar perto dele, agora sinto falta das mensagens de bom-dia, do cafuné, das noites de pipoca, sorvete e DVD, dos presentes que ele trazia sem ocasião nenhuma, só pra me agradar… Sinto falta até das brigas sem razão, de discutir sobre o sabor da pizza, de reclamar que ele queria me beijar de manhã, antes de escovar os dentes (homem tem essa mania, não entende que não dá pra beijar com aquele mega bafo de sono)… Sinto falta de tudo. É carência? Talvez. Mas eu não namorei três anos só porque eu queria ter alguém. Eu amei esse cara. Eu sei que eu comecei a namorar pra tirar o Gui da cabeça, e o Maurício era o cara perfeito pra isso: era divertido, me passava segurança, era gostoso ficar com ele. Depois de um tempo namorando, eu estava amando. Tinha respeito, admiração, carinho, vontade de ficar perto dele o tempo todo. Mas isso foi morrendo com o tempo. As coisas foram ficando monótonas, previsíveis, e o namoro virou um fardo pra mim. Por causa dele, não podia mais usar as roupas que eu queria, não podia sair só com as amigas pra balada, não podia decidir sozinha o que eu ia fazer no final de semana. Pra tudo, ele tava lá, dando pitaco. Perdi a conta de quantos aniversários, happy-hours, festas, etc, que eu deixei de ir. Ele não proibia – mas fazia aquela cara de cachorro carente, e eu ficava me sentindo culpada só de ter pensado em querer fazer alguma coisa sem ele. É claro que tem alguma coisa errada quando você sempre dispensa o namorado pra sair com as amigas, mas não era esse o caso. Eu queria ter as duas coisas, poder ficar com ele um dia e no dia seguinte sair pra dançar, sem culpa, sem preocupação. Mas não dava. Não sei o que fez a gente chegar nesse ponto, mas a verdade é que eu me sentia como uma prisioneira dele, uma escrava do namoro. E o que era amor foi se transformando em obrigação, pressão, raiva. E quanto mais eu me afastava, mais eu era cobrada. Talvez eu também tenha cobrado demais, pressionado demais, desconfiado demais – a gente nunca percebe quando faz essas coisas. Mas agora, também, tanto faz. Faz um mês que a gente terminou. A essa altura, ele deve ter arranjado uma “são-paulina” ou uma “pívets” pra ele também. E do jeito que ele sabe fazer as coisas direitinho pra conquistar uma mulher, duvido que elas sejam pássaros voando longe. É… Agora é tarde… E eu estou aqui me perguntando se eu deveria ter largado um namoro nota 7,0 pra buscar um nota 10,0…

24

de
outubro

O Karma e o Mantra

Antes de mais nada, já vou avisar que o imbecil do PC são-paulino não ligou ontem. Eu esperei, grudada no telefone, até as oito horas da noite, já me preparando pra caso ele quisesse sair (ele sempre liga meio em cima da hora). Oito e quinze eu tava já com os olhos cheios de lágrimas, controlando a raiva, quando o Gui ligou. Tava saindo de um cliente, do lado da minha casa, queria me ver. Sabe aquela sensação de festa surpresa no dia do seu aniversário quando ninguém lembrou, nem ligou pra dar parabéns? Foi mais ou menos isso. De repente, o que ia ser mais uma noite sozinha, chorando e tentando descobrir o que eu fiz de errado com um geminiano, virou uma noite de esperança de reconquistar (ou pelo menos entender um pouquinho) outro geminiano. Pensei uns 3 segundos e aceitei o convite. Não ia ficar com ele, mas não tinha mal nenhum em a gente sair, como amigos. Ele me pegou em casa e me levou num barzinho que a gente sempre ia quando a gente namorava. Pedi a clássica caipirosca de Absolut com lima de pérsia, e ele riu: “Você e suas manias…”. Aquele jeito dele de falar baixinho, me olhando nos olhos… Óbvio que me derreti. Eu sei que o que ele falou não foi nada de mais, mas o jeito que ele falou, como quem me conhece, quem me lê em um segundo… Respirei fundo, o mantra na minha cabeça: “Ele tem namorada. Ele tem namorada. Ele tem namorada. Ele…”. Começamos a conversar, nossas discussões conceituais de sempre: “É verdade que as loiras são mais felizes? E que as loiras siliconadas são ainda mais felizes? É mais fácil ser burro ou inteligente? Mulher que dá na primeira noite é vaca? É melhor ter um amor seguro sempre ou viver uma paixão louca uma vez? Porque é que a gente não tem coragem de largar tudo e ir trabalhar de garçom na Austrália? Ou virar hippie em Boipeba?”. Lógico que entrecortados por aqueles xavecos que, cara, só ele sabe fazer: “Adoro quando você joga o cabelo assim meio de lado”, “E quando é que você vai me convidar pra comer fondue na sua casa?”, “Você fica muito charmosa fumando”, “Será que algum dia você ainda vai querer namorar comigo” – isso pra ficar só no permitido para menores. E eu, respirando fundo: “Ele tem namorada. Ele tem namorada. Ele…”. Cara, não sei como eu me controlei pra não agarrar esse cara. Eu tenho problema com homem bonito. Sério. Se o cara é mais ou menos, ok, eu posso até me apaixonar, mas quando o cara é gato, e charmoso ainda que nem o Gui, é foda. Pior é que ele tem esse jeito xavequeiro, de homem galinha, com todas, mas acho que ele nunca traiu uma namorada. Trair assim, fisicamente mesmo. Ele não é o tipo mau-caráter. Lógico que a namorada dele, se lesse um email desses que ele me escreve, ou descobrisse que ele tá saindo comigo, ia ter um milhão de razões pra se considerar traída – afinal, ele fala comigo como quem quer alguma coisa. Mas desde que a gente se reencontrou na balada, a gente já saiu algumas vezes, tem se falado bastante, e (fora os comentários que ele faz pra me derreter) nunca rolou nada – ele nunca nem tentou me beijar. Não dá pra dizer que ele tá traindo ela. Ou dá? Qual o fato que concretiza a traição? O beijo? O sexo? A mentira? Não sei. Mas que eu precisei repetir o mantra um milhão de vezes, eu precisei…

P.S.: Cheguei em casa e tinha uma mensagem do Gui no meu celular: “Queria ter ficado mais com você…”. Sou eu que tenho problema, ou o cara é muito bom mesmo?!

23

de
outubro

Doses Homeopáticas

Cara, certeza que o PC tem namorada. Não tem outra explicação. Saí com ele na sexta, happy-hour sussa, o clima esquentando… Quando deu dez horas, ele falou que precisava ir, que estava cansado. Ah, na boa, homem nenhum fica cansado às dez horas da noite, dando uns amassos no carro. Gay ele não é – meu radar é bom pra isso (acho que tenho tanto amigo gay que desenvolvi essa habilidade de saber se só de olhar). Se fosse pra sair com os amigos, ele poderia perder mais meia horinha ali fácil… Certeza que ele tem namorada. Deve ser do interior. Ela vem pra cá um fim-de-semana, ele vai pra lá no outro… por isso que a gente só sai durante a semana! E ela não deve conhecer ninguém aqui, porque a gente vai pra barzinho e tal e ele nunca pareceu preocupado em encontrar alguém. Mas com todos os outros indícios, eu já deveria ter percebido. Ele fica sempre com o celular perto (se a namorada ligar, ele pode fingir que vai ao banheiro e liga de volta de algum lugar silencioso!). Ele passa vários dias sem ligar, mas quando liga, faz várias perguntas, quer saber da minha vida, é atencioso (ele tá acostumado a falar assim com a namorada!). Ele nunca atende o telefone de final de semana (ela está por perto!). Ele nunca me chamou pra ir no apê dele (ok, faz pouco tempo que a gente tá saindo, mas certeza que é porque deve ter foto dela lá). Ele conta a mesma história duas vezes, e volta e meia acha que contou uma história que não contou (ele não sabe se contou pra mim ou pra ela!). Cara, ele tem namorada. Não, pior: eu sou a outra!!! Não sei mais nem o que pensar. Queria explodir a cara dele agora. Se eu pudesse (e tivesse a cara de pau de pagar um mico desse nível), eu ia no banco que ele trabalha, só pra causar. Ou não, ia seguindo o carro dele até a casa dessa namorada, só pra contar pra ela que ele tá saindo comigo. Há quase um mês! E que ele fala que eu sou linda, que fala sobre viagens que a gente poderia fazer juntos, que ele já me deu até uma flor. Ou eu podia riscar o carro dele inteiro, com coraçõezinhos com os nossos nomes dentro, só pra ela ver. Ok, ok. Não vou fazer nada disso – não sou tão psycho assim, e nem tenho (ainda) nenhuma prova de que ele tem namorada. Mas não é o primeiro fim-de-semana que ele some e não me atende. Também, não ligo mais pra esse cara. Juro. Tudo bem que a gente não tá namorando, ele não tem a obrigação de me atender. Mas se ele tivesse a fim, teria ligado. Homem quando quer, corre atrás. Não fica fazendo charme que nem mulher, se fingindo de difícil. EU NÃO VOU LIGAR. EU NÃO VOU LIGAR. EU NÃO VOU LIGAR. Já mudei até o número dele no meu celular pra NÃO LIGAR. Pior é que eu quero que ele ligue. Muito. Quero sair de novo com ele, namorar com ele, casar com ele. Cara, tô apaixonada. Ele não pode simplesmente sumir assim. Eu fiz tudo direitinho: não corri atrás, não fiquei cobrando, esperava três toques pra atender quando ele ligava… e o mais importante: não dei!!! Me segurei de vontade, mas não deixei nem ele passar a mão direito. Ele tem que me ligar. Não agüento mais sair com ele assim, em doses homeopáticas…

P.S.: Sabe o que é o pior: ele é geminiano, que nem o Gui. É meu karma.

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