12
de
novembro
… em falta com nós mesmos.
Estou triste. Não sei o que está acontecendo comigo. Já terminei outros namoros antes, já fui chifrada, já sofri (de chorar, querer estrangular as pessoas) muito por causa de outros meninos, mas dessa vez é diferente. Eu não tô sofrendo por causa do Maurício. Tô sofrendo por mim. Nunca fiquei muito tempo sozinha – na verdade, depois do primeiro namorado (há exatos dez anos), acho que meu recorde de tempo solteira não chegou a três meses. Se não tava namorando, no mínimo tava ficando sério com alguém – sério de conhecer pai e mãe, ligar sem ficar pensando antes. Sempre foi assim: eu terminava o namoro, chorava dois, três dias inteiros e era como se eu colocasse pra fora tudo que eu tava sentindo, como se o vírus da tristeza fosse embora mesmo. Mas dessa vez tá diferente. Eu tô diferente. Da hora que o Maurício saiu da minha casa na quarta até sábado à noite, não derramei uma lágrima. Não tava me segurando, eu tava com vontade de chorar. Muita. Mas parece que as lágrimas não saíam, começava a ficar triste e vinha aquele monte de pensamento de livro de auto-ajuda na minha cabeça: “você é mais forte”, “pensa positivo”, “você vai encontrar alguém muito melhor”… E simplesmente eu não chorava. Afinal, eu me amo, sou linda, inteligente, super bem-sucedida, tenho uma família maravilhosa, as melhores amigas do mundo, meu próprio apartamento, até a moto dos sonhos de muito marmanjo eu tenho – e consegui com meu próprio esforço. Não sou uma Mychelly da vida, que se não casar com um homem rico vai passar o resto da vida caçando um até encontrar (juro que eu consigo visualizar a cena: Mymy, 47 anos, calça branca, top rosa-choque, cabelo Elba Ramalho, brincos, pulseiras e colares dourados, se pegando com um cara de 1,50, barrigudo, careca e de bigode grisalho, mas cheio da grana). Sem pretensão, mas sem falsa modéstia: eu tô muito acima disso. Não preciso me preocupar em ficar pra titia, nem perder meu tempo chorando por alguém que não me merece. Então eu fiz happy-hour na quinta, fui pra balada sexta, passei o dia no shopping sábado… Tudo muito bem, como se eu tivesse muito bem-resolvida… Mas sábado à noite eu desabei. Não sei o que me deu, eu tava numa balada que eu amo, com as minhas melhores amigas, bebendo minha caipirosca de Absolut com lima de pérsia e já de olhos nos potenciais gatinhos, “feliz da vida”… Até que vi o pívets. Não falava com ele desde aquele dia do bar (que o são-paulino tava). Ele não me ligou, eu também não liguei – na verdade, nem me dei conta que ele não tinha me ligado há mais de uma semana, com tudo isso que rolou com o Maurício. Mas ele veio conversar comigo, e de repente eu me dei conta de que sim, eu queria ficar com ele. Aí eu pensei que não, eu não podia, ia ser muito fácil pra ele – a gente fica umas vezes, transa umas vezes, ele some mais de uma semana e depois é só chegar que ele consegue me “pegar” de novo?! No way. Deixei ele com os amigos dele e fui curtir a balada – com uma esperança de que ele voltasse pra falar comigo de novo, não posso negar. Mas ele não veio. Foi me batendo uma coisa, uma vontade de me esconder, de ficar sozinha, de apagar tudo e começar de novo. Sabe aquela angústia em que tudo que você precisa pra desmoronar é um abraço? Fui embora sem nem me despedir de ninguém, “escoltada” pela Karina, que sabia só de olhar pra minha cara que se eu passasse mais um minuto lá dentro eu desabava. Desabei no segundo que eu entrei no carro e vim chorando o caminho todo, com o som no volume máximo, cantando (gritando?) fora de ritmo e completamente desafinada – parecia uma louca. Mas eu não tava chorando por causa do pívets. Nem pelo Maurício, nem pelo Gui (que, aliás, também sumiu essa semana), nem pelo são-paulino (que até agora não saiu da minha cabeça). Eu tava chorando por mim. Porque alguma coisa me falta. E por mais que eu busque, simplesmente não encontro.
P.S.: Tem uma frase do Goethe que diz que “Tudo nos falta quando estamos em falta com nós mesmos”. Muito bonita, mas… onde é que eu estou em falta comigo?
P.S.II.: Lá pelas quatro e meia da manhã chega uma mensagem do pívets no meu celular, perguntando onde eu tava.

